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Sua empresa cobra resultados ou fabrica afastamentos?

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Por Fábio Alexandre Guimarães Botteon

Gestor de Pessoas e Mentor de Líderes

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Instagram: @instituto.botteon

Quando uma empresa afirma que valoriza pessoas, mas não consegue demonstrar como identifica sobrecarga, reduz conflitos ou acompanha sinais de adoecimento, ela possui discurso, mas ainda não possui política de prevenção. A NR-01 coloca a gestão diante do espelho e é necessário demonstrar que os riscos são avaliados e enfrentados.

A partir de 26 de maio de 2026, a nova redação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais da NR-01 torna explícita a inclusão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Isso não significa invadir a vida privada do colaborador ou transformar o RH em consultório, mas, olhar com seriedade para aquilo que a organização produz: sobrecarga, assédio, metas incompatíveis, comunicação violenta, isolamento, ausência de apoio e lideranças que confundem pressão com desempenho.

O empresário que espera uma denúncia para agir escolhe o caminho mais caro. O risco psicossocial não nasce no dia em que alguém adoece ou procura a Justiça. Ele se forma na reunião em que a humilhação é tolerada, na meta imposta sem planejamento, na mensagem fora do horário como se descanso fosse falta de compromisso, no colaborador que pede orientação e recebe cobrança. A crise é a parte visível de uma falha que a cultura deixou crescer.

Por isso, a decisão madura não é aplicar uma pesquisa genérica e arquivá-la para a fiscalização. O diagnóstico precisa conversar com a realidade do trabalho: ouvir colaboradores com segurança, analisar setores, tarefas, fluxos, prazos e estilo de liderança. Indicadores como afastamentos, rotatividade, retrabalho, conflitos e queixas ajudam a revelar onde a operação está adoecendo.

Mas diagnosticar sem agir também produz risco. Quando a empresa pergunta e nada muda, a confiança cai. O plano de ação deve indicar responsáveis, prazos e medidas concretas: revisão de cargas e responsabilidades, critérios claros para metas, canais confiáveis de escuta, prevenção ao assédio, capacitação de líderes, melhoria de processos e acompanhamento periódico. Cuidar da saúde no trabalho não é criar permissividade; é organizar o desempenho para que resultado e dignidade caminhem juntos.

A liderança intermediária ocupa posição decisiva. É ela quem transforma estratégia em rotina ou pressão em ameaça. Supervisores, coordenadores e gerentes precisam orientar, corrigir sem humilhar, reconhecer limites operacionais e agir diante de sinais de tensão.

Também é necessário abandonar a ilusão de que uma palestra isolada resolverá problemas estruturais. Sensibilizar é importante, mas prevenir exige governança: direção patrocinando o processo, RH atuando estrategicamente, segurança e saúde do trabalho integrando informações e trabalhadores participando com voz real. O que protege a empresa não é um documento bem escrito, mas a coerência entre o documento e a prática diária.

A NR-01 não exige empresas perfeitas, ela exige organizações responsáveis, capazes de identificar perigos, avaliar riscos, implementar medidas e acompanhar resultados. A pergunta real não é se a empresa tem problemas, mas quando os riscos aparecem, sua gestão trata como sinal para evoluir ou tentar silenciar até que virem crise?

Negligenciar pessoas deixou de ser apenas falha moral e tornou-se falha de governança, produtividade e continuidade do negócio. A empresa que age agora não está somente se preparando para uma norma. Está protegendo sua reputação, qualificando a liderança e construindo um resultado que não dependa do esgotamento de quem o entrega.

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