Temperatura — Adamantina
-- °C Adamantina

Cyberbullying em Adamantina revela um possível ciclo: vítimas identificam agressor que também sofria bullying

Cocipa
Cocipa

Por Angela Testa
Psicóloga | CRP 06/142427

Os recentes episódios envolvendo a exposição de adolescentes e mulheres em redes sociais, por meio de montagens e conteúdos ofensivos em Adamantina, nos convocam a uma reflexão urgente: o que está por trás de comportamentos que ferem, humilham e deixam marcas profundas?
O cyberbullying é uma forma de violência que ultrapassa os limites físicos. Ele invade o espaço íntimo, se repete, se multiplica e expõe a vítima a um público muitas vezes incontável. Seus impactos emocionais são reais e, especialmente entre adolescentes, podem afetar diretamente a construção da autoestima, da identidade e do sentimento de pertencimento.
Para compreender a dimensão desse impacto, ouvi jovens que foram vítimas dessas exposições.
“Assim como todas as envolvidas, para mim foi um choque saber que eu e meu corpo estávamos sendo expostos assim, de uma forma tão vulgar, diante de tantos homens. Havia comentários maldosos, nojentos, que fizeram com que a gente se sentisse sujas… com uma imagem que não nos diz respeito. O que ainda causa revolta é saber que isso surgiu de uma pessoa com quem convivíamos e de quem realmente não esperávamos.”
O relato evidencia não apenas a violência do ato, mas a quebra de confiança e o sentimento de invasão da própria identidade.
Outro ponto que emergiu nas conversas foi a surpresa ao descobrirem quem estava por trás das agressões:
“Ficamos surpresas porque era alguém do nosso convívio, que já esteve no mesmo ciclo de amigos. Eu mesma já presenciei situações em que falaram dele. Os próprios amigos às vezes ‘exaltavam’ para depois falar mal. Incentivavam ele a chegar nas meninas e, quando levava um fora, virava motivo de zoação. Quando estava com o grupo, ele tentava ser mais extrovertido, mais ‘da zoeira’, para ser aceito, mas sozinho era mais quieto, no canto dele.”
Esses relatos não diminuem a gravidade dos atos cometidos, mas ampliam a nossa compreensão.
Em muitos casos, o agressor também carrega dores, rejeições e tentativas frustradas de pertencimento. Jovens que não se sentem aceitos podem, em determinados contextos, adotar comportamentos que acreditam ser uma forma de inserção social — ainda que isso aconteça através da agressão.
Isso não justifica. Mas explica.
Diante das evidências de que, em muitos contextos, quem pratica bullying já esteve, em algum momento, no lugar de vítima, é fundamental ampliar o olhar: não há apenas um culpado isolado, mas um fenômeno relacional e social que se constrói e se perpetua.
Isso nos convoca a uma responsabilidade coletiva.
Se queremos interromper esse ciclo, não basta apontar culpados, é preciso agir na prevenção.
E é justamente nesse ponto que a educação neuroemocional se torna essencial.
Ao longo do trabalho que desenvolvemos junto às escolas, voltado à compreensão do bullying em suas diversas faces, presencial e digital, fica evidente que não basta olhar apenas para a vítima ou apenas para o agressor. É necessário acolher ambos.
A vítima precisa ser escutada, validada e fortalecida.
O agressor precisa ser responsabilizado, mas também compreendido em sua história emocional.
Sem esse olhar ampliado, corremos o risco de apenas punir comportamentos, sem transformar as causas.
O bullying, muitas vezes, funciona como um fenômeno social que se perpetua: quem sofre, sem apoio e elaboração, pode vir a reproduzir. Como uma espécie de ciclo que se retroalimenta.
Romper esse ciclo exige mais do que reação, exige prevenção.
E prevenção se faz com informação, educação e ação estruturada.
A educação neuroemocional nas escolas possibilita que crianças e adolescentes desenvolvam:
• consciência sobre suas emoções
• empatia nas relações
• autorregulação
• senso de responsabilidade, inclusive no ambiente digital
Mais do que isso, ensina algo essencial e urgente: o autoacolhimento e o acolhimento do outro. Ensinar o jovem a reconhecer o que sente, a não se envergonhar das próprias emoções e a olhar para o outro com humanidade é o que, de fato, transforma relações.
Ensinar jovens a lidar com frustrações, rejeições e sentimentos de inadequação é tão importante quanto qualquer conteúdo acadêmico.
Porque, quando não aprendemos a lidar com o que sentimos, corremos o risco de descarregar isso no outro.
Mais do que perguntar “quem fez?”, talvez devêssemos perguntar:
o que estamos ensinando, ou deixando de ensinar, às nossas crianças e adolescentes?
A construção de uma sociedade mais saudável passa, necessariamente, pela forma como educamos emocionalmente nossas novas gerações.
Cuidar da formação acadêmica e da saúde mental hoje também é ensinar a conviver, respeitar e se responsabilizar, dentro e fora das telas.
Somente por meio de informação e treinamentos, com ações efetivas junto às escolas e famílias, será possível transformar esse cenário e interromper o ciclo do bullying.

Convite às escolas

Escolas interessadas em participar do treinamento em educação neuroemocional podem entrar em contato para mais informações.
📲 WhatsApp: (18) 99618-6802
📱 Instagram: @angelatesta.eusou
Serão oferecidas todas as orientações sobre o treinamento online, voltado para equipes escolares, alunos e familiares.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Conteúdo protegido