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Sua empresa comprou ferramentas de inteligência artificial (IA), mas quem vai ter coragem de mudar o jeito de trabalhar?

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Fábio Alexandre Guimarães Botteon

Gestor de Pessoas e Mentor de Líderes

Instagram: @instituto.botteon

A maioria das empresas já entendeu que inteligência artificial não é moda. O problema é que muitas ainda estão tentando encaixar uma tecnologia nova dentro de um modelo de trabalho antigo.

É por isso que uma das discussões mais importantes desta semana não é simplesmente quem usa IA, mas quem já começou a redesenhar o próprio trabalho com ela.

Os chamados usuários avançados de inteligência artificial apresentam uma diferença importante: eles não usam IA apenas para escrever e-mails, resumir documentos ou produzir apresentações. Eles reorganizam fluxos, automatizam etapas, criam agentes para atividades recorrentes e reservam parte do tempo recuperado para análise, decisão, criatividade, relacionamento e desenvolvimento de pessoas e esse detalhe muda tudo.

A pergunta deixa de ser:“Quanto tempo a IA economizou?” E passa a ser: “O que fizemos de melhor com o tempo que recuperamos?”

Esse é justamente o ponto em que muitas organizações travam.

Elas oferecem ferramentas, mas mantêm indicadores que premiam o comportamento antigo, pedem inovação, mas cobram exatamente os mesmos processos, falam em transformação, mas não permitem experimentação. Querem produtividade, mas continuam confundindo produtividade com quantidade de tarefas executadas.

O resultado é um paradoxo: profissionais aprendem a utilizar IA individualmente enquanto a empresa permanece praticamente igual.

O Work Trend Index 2026, da Microsoft, ajuda a dimensionar essa distância. Apenas 16% dos usuários de IA pesquisados foram classificados como “Frontier Professionals”, o grupo mais avançado na utilização de agentes e no redesenho do trabalho, apenas 26% disseram perceber sua liderança claramente e consistentemente alinhada sobre IA, e 45% afirmaram que ainda parece mais seguro concentrar-se nas metas atuais do que redesenhar o trabalho com a nova tecnologia.

A conclusão é que a tecnologia está avançando mais rápido do que o sistema de gestão e nesse ponto de inflexão aqui que surge a nova responsabilidade para líderes.

O líder não precisa ser o maior especialista técnico da equipe, mas precisa oferecer direção,  estabelecer onde a IA gera valor, quais riscos devem ser governados, o que continua exigindo julgamento humano e como o ganho de capacidade será convertido em resultado.

Imagine uma atividade que levava quatro horas e agora exige quarenta minutos, nesse momento vemos a diferença de uma liderança antiga e uma madura. A liderança antiga pergunta: “Quantas tarefas a mais você consegue fazer agora?”, já  liderança madura pergunta: “Como utilizamos essas três horas para melhorar o cliente, analisar melhor os dados, desenvolver alguém ou resolver um problema que antes não cabia na agenda?” Essa diferença separa automação de transformação.

Se as empresas adicionarem IA às rotinas poderão ficar mais rápidas, redesenhar trabalho, momento em que as competências e decisões poderão ficar melhores. E talvez essa seja uma das maiores vantagens competitivas dos próximos anos.

Não será simplesmente ter acesso à inteligência artificial, afinal em algum nível, praticamente todos terão. A vantagem estará em possuir líderes capazes de transformar inteligência disponível em capacidade coletiva. Antes de contratar a próxima ferramenta, talvez a diretoria devesse fazer uma pergunta muito mais desconfortável:

“Estamos utilizando IA para fazer mais do mesmo ou para questionar por que continuamos trabalhando desse jeito?”

A resposta pode revelar se sua empresa está modernizando tarefas ou realmente construindo o futuro, porém se a tecnologia mudou, mas a liderança continua exatamente igual, talvez o próximo investimento não deva ser em mais software, talvez deva ser em quem lidera.

Faz sentido para o seu momento atual? Se sim, adoraria trocar uma ideia com você.

 

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