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De Adamantina para o Japão: o brasileiro que abriu caminho no futebol japonês

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Antes de o Japão se consolidar como uma potência emergente no futebol e até coorganizar uma Copa do Mundo, um brasileiro, natural do interior de São Paulo — com raízes em Adamantina — atravessou o mundo e abriu caminho para gerações de atletas estrangeiros.

Nelson Yoshimura, descendente de japoneses, deixou o Brasil na década de 1960 e acabou escrevendo um capítulo importante na história do futebol japonês.

Nascido em Tupã e formado futebolisticamente em Adamantina, onde deu os primeiros passos no esporte, Nelson mudou-se ainda jovem para a capital paulista, onde jogou futebol de várzea e ganhou destaque em competições da comunidade nipo-brasileira.

Foi após conquistar o Campeonato Nissei, em 1966, que surgiu a oportunidade de ir para o Japão, integrando o time da empresa Yanmar — hoje conhecido como Cerezo Osaka.

Ao chegar ao Japão, em 1967, Yoshimura tornou-se o primeiro jogador estrangeiro a atuar no futebol local. Na época, o esporte ainda não era profissionalizado, e não havia remuneração significativa.

Mesmo assim, destacou-se rapidamente. Atuando como meia-direita, ganhou notoriedade e, posteriormente, naturalizou-se japonês para defender a seleção nacional. Entre 1970 e 1978, participou de campanhas em eliminatórias para a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, embora sem classificações.

Vida construída longe do Brasil

Sem retorno financeiro expressivo do futebol, Yoshimura construiu sua vida no Japão. Trabalhou durante décadas na mesma empresa que o levou ao país e formou família por lá. Casou-se, teve filhos e fixou residência na região de Kobe.

Contribuição além dos campos

Após encerrar a carreira como jogador em 1980, continuou ligado ao futebol como observador de talentos do Cerezo Osaka. Entre os atletas que ajudou a revelar está Morishima, autor de um gol histórico pela seleção japonesa.

Yoshimura também testemunhou a transformação do futebol no Japão: de um esporte pouco popular, atrás do beisebol e do sumô, até se tornar paixão nacional, especialmente após a criação da liga profissional nos anos 1990.

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