Por Marlene Salustiano
Vivemos na era da tecnologia, da inteligência artificial e da comunicação instantânea. Nunca foi tão fácil estar conectado. No entanto, nunca vimos tantos jovens enfrentando ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais.
O que está acontecendo?
Não existe um único culpado. As redes sociais, a pressão por desempenho, a rotina acelerada e as mudanças na forma de viver e educar contribuem para esse cenário. Mas também precisamos olhar para dentro de casa.
Muitos pais trabalham para oferecer conforto e oportunidades aos filhos, mas será que conseguem oferecer aquilo de que eles mais precisam: presença, diálogo, orientação e limites?
Estamos presentes ou apenas próximos? Estamos ouvindo ou apenas respondendo?
Em nome da autonomia, muitos adolescentes assumem responsabilidades antes de terem maturidade emocional para lidar com elas. A ciência mostra que o cérebro continua em desenvolvimento até cerca dos 25 anos, especialmente nas áreas ligadas ao autocontrole e à tomada de decisões. Por isso, orientação e limites continuam sendo fundamentais.
Também é importante refletir sobre os adultos. Como ensinar equilíbrio emocional quando muitos pais também vivem sobrecarregados, ansiosos e constantemente conectados? Talvez estejamos diante de uma geração de filhos inseguros sendo conduzida por adultos igualmente pressionados.
Outro aspecto que merece atenção é a espiritualidade. Independentemente da religião, muitas pessoas encontram nela propósito, esperança, valores e sentido para enfrentar as dificuldades da vida. Quando tudo gira em torno do desempenho, da aparência e do sucesso, qualquer fracasso pode parecer insuportável.
As redes sociais intensificam comparações constantes e criam padrões irreais de felicidade e sucesso. Porém, o desafio vai além das telas. Precisamos formar jovens capazes de lidar com frustrações, assumir responsabilidades, cultivar empatia e compreender que a felicidade não significa ausência de problemas, mas capacidade de enfrentá-los.
Também é importante reconhecer que os jovens crescem em um mundo mais competitivo e exigente do que o das gerações anteriores. Assim como não podemos responsabilizá-los por tudo, também não devemos retirar deles a responsabilidade por suas escolhas.
O cuidado com a saúde mental começa muito antes do consultório. Começa na família, na escola, nas amizades e na disposição de perceber quando o silêncio de um jovem pode ser um pedido de ajuda.
Talvez o maior desafio da nossa geração não seja ensinar nossos filhos a dominar a tecnologia, mas ajudá-los a desenvolver equilíbrio emocional, responsabilidade, valores e esperança.
Se quisermos uma geração mais saudável, será preciso investir no essencial: mais diálogo, mais presença, mais responsabilidade compartilhada e, para quem assim crê, mais espaço para Deus na formação do caráter.
A saúde mental dos nossos jovens não é responsabilidade apenas da família, da escola ou dos profissionais da saúde. É um compromisso de toda a sociedade






































