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Não tenha medo de mudar de versão: o que Madonna pode ensinar a um líder que acha que já sabe tudo

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Fábio Alexandre Guimarães Botteon

Gestor de Pessoas e Mentor de Líderes

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Instagram: @instituto.botteon

Existe um risco silencioso na liderança: confundir experiência com atualização. Depois de alguns anos de carreira, muitos profissionais começam a acreditar que o tempo de estrada, por si só, garante relevância. É justamente aí que alguns deixam de crescer, porque passam a repetir aquilo que um dia funcionou.

Madonna oferece um contraponto interessante. Aos 68 anos, depois de mais de quatro décadas de carreira, ela voltou ao palco do MTV Video Music Awards após 23 anos, abriu a cerimônia e terminou a noite como Artista do Ano, acumulando sete prêmios. O ponto não é transformar uma cantora em modelo de gestão. É observar a lógica por trás de uma trajetória que atravessou mudanças profundas de comportamento, tecnologia, linguagem, consumo e cultura sem desaparecer do radar.

Liderança também é gestão de relevância.

Quem lidera por muito tempo enfrenta um desafio parecido: aquilo que construiu sua autoridade ontem pode ser insuficiente amanhã. Experiência é patrimônio, mas pode virar âncora quando passa a ser usada como justificativa para não aprender. O líder que diz “sempre fizemos assim” talvez esteja, sem perceber, anunciando que parou de interpretar o ambiente.

Madonna construiu sua carreira fazendo algo que organizações e líderes frequentemente evitam: revisar a própria identidade sem abandonar a essência. Mudaram os formatos, os públicos, as tecnologias e as gerações. Sua capacidade de reposicionamento permaneceu. Isso não significa seguir modismos. Significa preservar propósito enquanto se atualiza a forma de entregar valor.

Há uma segunda lição: relevância exige desconforto. Quem quer continuar influente precisa aceitar voltar à posição de aprendiz. Precisa escutar quem chegou depois, compreender novas linguagens e admitir que determinadas competências que trouxeram sucesso até aqui talvez não sejam as mesmas exigidas para o próximo ciclo.

Nas empresas, líderes experientes às vezes tentam competir usando apenas autoridade, cargo ou currículo. A liderança sustentável não acontece quando alguém prova que sabe mais. Acontece quando consegue transformar experiência acumulada em capacidade de interpretar o novo.

Há um terceiro aprendizado: legado não é aposentadoria intelectual. Um profissional pode ter construído uma história admirável e, ainda assim, tornar-se irrelevante para o presente. Legado verdadeiro não é viver das conquistas anteriores; é fazer com que aquilo que você aprendeu continue produzindo valor em contextos diferentes.

Talvez seja essa a pergunta que Madonna coloca, involuntariamente, diante de muitos líderes:

Você está usando sua experiência para avançar ou para se proteger da mudança?

O mercado não costuma avisar quando alguém começa a perder relevância. Primeiro, as conversas acontecem sem você. Depois, as decisões deixam de passar por você. Por fim, seu conhecimento continua respeitado, mas já não influencia o futuro.

Por isso, desenvolvimento de liderança não termina quando alguém chega à gestão. Na verdade, começa novamente.

Se uma profissional consegue atravessar quatro décadas de transformação cultural mantendo capacidade de mobilização, talvez o aprendizado para quem lidera empresas e equipes seja simples: não tenha medo de mudar de versão.

Tenha medo de acreditar que a versão que trouxe você até aqui será suficiente para levá-lo adiante.

E você: qual parte da sua liderança precisa ser atualizada antes que o mercado faça essa escolha por você?

Faz sentido para o seu momento atual? Se sim, adoraria trocar uma ideia com você.

 

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