Por Marlene Salustiano da Silva e Souza
Professora
Coordenadora
Esposa
Mãe
Vivemos em uma sociedade que valoriza resultados, produtividade e juventude. Parece que, enquanto produzimos, somos importantes; enquanto ocupamos um cargo, somos reconhecidos; enquanto somos úteis para alguém, somos lembrados. Mas basta o tempo passar para que muitos sejam colocados de lado, como se a própria vida tivesse uma data de vencimento.
Como pode um ser humano ser descartado depois de uma vida inteira de trabalho, dedicação e contribuição para a sociedade? Depois de construir famílias, formar profissionais, pagar impostos, enfrentar desafios e ajudar a desenvolver o mundo, de repente passa a ser tratado como alguém invisível. É como se sua história deixasse de importar.
E o que dizer dentro da própria família? Como aceitar que um pai ou uma mãe, que dedicaram a vida aos filhos, muitas vezes deixem de ser ouvidos? Será que suas ideias envelheceram? Será que seus conselhos perderam o valor? Ou será que nós, apressados pelo ritmo da vida, deixamos de enxergar a riqueza da experiência?
A idade não apaga a sabedoria. Pelo contrário, ela é construída com erros, acertos, alegrias e dificuldades que nenhuma tecnologia é capaz de substituir. Ouvir quem viveu mais é reconhecer que o conhecimento não está apenas nos livros ou na internet, mas também na trajetória de quem abriu caminhos antes de nós.
Infelizmente, estamos criando uma cultura do descarte. Trocamos objetos, relações e, às vezes, até pessoas, como se tudo pudesse ser substituído. Esquecemos que ninguém é descartável. Cada ser humano possui uma história única, uma experiência que merece respeito e uma dignidade que jamais pode ser medida pela sua capacidade de produzir.
O valor de uma pessoa não termina com a aposentadoria, com os cabelos brancos ou com as limitações impostas pelo tempo. O valor humano está na sua essência, naquilo que construiu, no amor que ofereceu, nos exemplos que deixou e na capacidade de continuar ensinando, acolhendo e inspirando.
Talvez a grande pergunta não seja se o ser humano tem prazo de validade. A pergunta que devemos fazer é: o que está envelhecendo, a experiência de quem viveu ou a sensibilidade de uma sociedade que deixou de valorizar as pessoas?
Enquanto não aprendermos a enxergar o valor de cada fase da vida, continuaremos perdendo o que temos de mais precioso: a humanidade.
Porque pessoas não têm prazo de validade. O respeito, a gratidão e o reconhecimento também não deveriam ter.





































