Adriano de Oliveira
Psicólogo Clínico e Neuropsicólogo
CRP: 06/150383
Instagram: @psicologoadrianodeoliveira
A luz permanecia apagada mesmo durante o dia.
Do lado de fora do quarto, os pais ouviam vídeos, mensagens e, às vezes, um silêncio prolongado. O adolescente dizia que estava aproveitando as férias. Não queria sair, não desejava visitar familiares e demonstrava irritação sempre que alguém tentava entrar.
“É apenas uma fase”, repetiam.
Mas havia pequenos sinais.
Ele deixou de conversar com os amigos. Começou a recusar as refeições. Passou a dormir de madrugada e acordar no meio da tarde. Quando se olhava no espelho, parecia desconfortável. Quando recebia algum convite, inventava uma desculpa.
As férias escolares podem funcionar como uma espécie de revelador emocional. Durante o período letivo, a escola impõe horários, contatos sociais e responsabilidades. Mesmo quando o adolescente está sofrendo, ele precisa levantar, vestir-se e cumprir a rotina. Nas férias, sem essa estrutura, alguns comportamentos tornam-se mais evidentes.
O isolamento, por si só, não representa necessariamente um problema. A adolescência exige privacidade e construção de identidade. O alerta surge quando o afastamento se torna intenso, prolongado e acompanhado de outras mudanças. Quando o adolescente abandona o que gostava, perde o interesse por pessoas importantes ou demonstra desesperança, é necessário ampliar o olhar.
Outro sinal é a mudança na relação com o próprio corpo. Comentários depreciativos, recusa em aparecer em fotos, preocupação excessiva com peso ou aparência e alterações alimentares podem indicar sofrimento relacionado à autoestima. Durante as férias, o tempo maior nas redes sociais intensifica comparações e pode aumentar a sensação de inadequação.
Também é preciso observar frases aparentemente banais. Comentários como “ninguém sentiria minha falta”, “eu estrago tudo” ou “não sou bom em nada” não devem ser tratados como drama. Mesmo quando ditas em tom de brincadeira, essas falas podem revelar crenças dolorosas e precisam ser acolhidas com seriedade.
O erro mais comum é transformar a preocupação em interrogatório. Pressionar, ameaçar retirar o celular ou exigir que o jovem fale imediatamente tende a aumentar a resistência. A confiança se constrói por meio de presença constante e disponibilidade emocional.
Perguntar menos e escutar melhor pode produzir mais resultado. O adolescente precisa perceber que poderá falar sem ser ridicularizado, comparado ou punido. Nem sempre ele deseja uma solução imediata. Muitas vezes, precisa apenas encontrar um adulto capaz de sustentar sua dor sem minimizá-la.
A psicoterapia contribui justamente para esse processo. No espaço terapêutico, o jovem pode expressar medos, inseguranças e conflitos que talvez não consiga compartilhar com a família. O profissional ajuda a organizar sentimentos, desenvolver autoestima e construir estratégias mais saudáveis de enfrentamento.
A orientação psicológica também pode ajudar os responsáveis a compreender o comportamento do adolescente e ajustar a comunicação familiar. Em algumas situações, o sofrimento não pertence apenas ao jovem, mas está relacionado às dinâmicas, expectativas e conflitos presentes no ambiente.
A porta fechada não deve ser arrombada pela força.
Ela precisa ser aberta pela confiança.
E, quando o adolescente não consegue girar essa chave sozinho, a psicoterapia pode ajudá-lo a encontrar uma saída antes que ele passe a acreditar que está preso dentro de si mesmo.
Se você chegou até aqui é porque esse texto faz sentido para você, Vamos conversar?






































