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O Silêncio da Ausência

Cocipa
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Cocipa

Por Marlene Salustiano da Silva e Souza
Professora
Coordenadora
Esposa
Mãe

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Nem todo Dia dos Pais é feito de abraços.
Para muitas pessoas, essa data chega acompanhada de um vazio que não aparece nas fotografias nem nas mensagens de homenagem. É o silêncio da ausência.
Há pais que passam anos esperando uma ligação que nunca vem. Olham para o celular, revivem lembranças e imaginam como seria ouvir apenas um: “Pai, como você está?”.
Mas há também filhos que nunca conheceram esse abraço. Alguns cresceram vendo a cadeira do pai sempre vazia. Outros sentiram a rejeição antes mesmo de nascer. Foram filhos recusados ainda no ventre, privados do carinho, da proteção e da presença que toda criança merece. Cresceram perguntando, em silêncio, por que nunca foram escolhidos.
São dores diferentes, mas igualmente profundas.
A ausência deixa marcas que o tempo nem sempre consegue apagar. Ela se esconde atrás de sorrisos, de rotinas apressadas e de vidas que parecem completas. Mas basta a noite chegar para que as perguntas voltem, junto com as palavras que nunca foram ditas.
O “eu te amo” que ficou preso.
O perdão que foi adiado.
O abraço que nunca aconteceu.
Nem todo afastamento nasce da falta de amor. Há histórias marcadas por separações, conflitos, escolhas difíceis e feridas que atravessam gerações. Em outras, infelizmente, houve abandono e rejeição. Seja qual for a história, a ausência sempre deixa cicatrizes.
Se ainda existe a possibilidade de um reencontro, não espere pela ocasião perfeita. Uma ligação, uma mensagem ou um abraço podem mudar uma história inteira.
E, para quem nunca recebeu esse amor, fica uma verdade que ninguém pode tirar: a rejeição de um pai jamais determina o valor de um filho. Quem foi privado de afeto continua sendo digno de amor, respeito e de construir uma vida repleta de novos laços.
No fim da vida, ninguém leva consigo os motivos do orgulho, das discussões ou da distância. O que permanece é a lembrança do amor que foi compartilhado — ou a dor do amor que nunca encontrou coragem para se revelar.
Talvez o maior arrependimento não seja o abraço que foi dado, mas aquele que ficou para depois.
Porque chega um dia em que o telefone já não toca, a porta não se abre mais, e tudo o que resta é o silêncio… e a esperança de poder voltar no tempo por apenas um instante.
Mas o tempo nunca volta.
Por isso, enquanto houver hoje, escolha amar. Escolha perdoar, quando isso for possível e saudável. Escolha estar presente.
Porque, quando a saudade ocupar o lugar da presença, nenhuma palavra não dita poderá ser recuperada.

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