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Advogado alerta sobre deepfakes e fraudes digitais em Adamantina

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Por Igor Henrique Carvalho Bueno, advogado, especialista em Direito Digital

Imagine receber um áudio no WhatsApp com a voz de um familiar ou do seu chefe pedindo uma transferência urgente de dinheiro. A voz é idêntica, e o jeito de falar também. Você confiaria? Hoje, essa pergunta é mais complexa do que parece. A tecnologia, que tanto nos ajuda, também abriu portas para um novo tipo de crime: as fraudes digitais e os chamados deepfakes.

O que é um deepfake?

Pense em uma cópia digital quase perfeita. Usando inteligência artificial, criminosos conseguem aprender as características de uma pessoa (seu rosto, sua voz, seus gestos) e criar vídeos ou áudios novos, totalmente falsos, mas assustadoramente realistas. Não se trata de uma montagem simples; é uma criação sintética que busca enganar nossa confiança.

Os perigos no dia a dia

Essas fraudes não são mais coisa de filme: já causam estragos reais. O golpe financeiro, como o do áudio falso pedindo dinheiro, é apenas um dos exemplos.

Os perigos não são teóricos e, infelizmente, já atingiram nossa comunidade. Em um recente caso investigado pela Polícia Civil em Adamantina, fotos publicadas por mulheres e adolescentes em seus perfis de redes sociais foram capturadas e usadas sem autorização. Os criminosos foram além: usando tecnologia, possivelmente inteligência artificial, eles manipularam as imagens para inserir os rostos das vítimas em corpos nus, divulgando essas montagens em grupos para fins ilícitos diversos. Isso revela um perigo alarmante: o que postamos publicamente pode ser distorcido e usado para nos atacar, causando um dano devastador à honra.

Os riscos se estendem por diversas áreas da vida. Na família, um áudio falso pode ser usado em uma disputa de guarda de filhos para acusar um pai ou uma mãe de algo que nunca disse; no trabalho, um vídeo forjado pode incriminar um colega inocente ou destruir a reputação de uma empresa; no comércio, um golpista pode usar a voz de uma pessoa para autorizar compras ou validar dados em seu nome.

Como se proteger? A regra é: desconfie e confirme

A melhor defesa é a prevenção. Adote um protocolo de desconfiança saudável. Recebeu um pedido suspeito? Se um amigo, familiar ou chefe pedir dinheiro, dados ou qualquer outra ação por mensagem ou áudio, não aja por impulso.

Busque sempre confirmar a informação por outro meio. Ligue para a pessoa em seu número de confiança. Faça uma chamada de vídeo. Use um segundo canal de comunicação para ter certeza de que o pedido é legítimo. Essa simples confirmação pode evitar grandes dores de cabeça.

Fui vítima. E agora?

Se o pior acontecer, é crucial agir com rapidez e da maneira correta para que a Justiça possa ser feita.

Reúna o máximo de informações possível, para que sirvam como elementos de prova e fundamento para as medidas cabíveis. Em seguida, leve tudo à autoridade policial e registre um boletim de ocorrência detalhado.

É importante saber que a lei está do seu lado. A Justiça brasileira entende que a responsabilidade por fraudes não é apenas de quem foi enganado. Empresas que oferecem serviços digitais e lucram com essa tecnologia também têm o dever de garantir a segurança de seus usuários, podendo ser responsabilizadas por eventuais falhas que resultem em prejuízos.

A tecnologia avança, e as fraudes tornam-se cada vez mais elaboradas. Nossa atenção e nosso cuidado precisam avançar juntos. Ao se manter informado, adotar uma postura crítica e conhecer seus direitos, você protege seu patrimônio, sua imagem e sua família.

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