G1
Uma família do interior de São Paulo mantém viva, há mais de meio século, uma tradição criada pelo patriarca Saturnino Castro, conhecido carinhosamente como “Vozão”.
O encontro, realizado todos os anos durante o feriado de Páscoa, reúne mais de 100 parentes em quatro dias de convivência, celebração e memória familiar.
Os Castro têm origem em Adamantina, mas atualmente estão espalhados por diversas regiões do Brasil e até fora do país. Entre os locais onde a família está presente estão Jaú, São Paulo, Lençóis Paulista, Pederneiras e Macatuba, além do Distrito Federal, Alagoas, Rondônia, Paraná e até a Flórida, nos Estados Unidos.
Mesmo com a distância, filhos, netos, bisnetos e parentes por afinidade se reencontram anualmente na chamada “Pascoareta”, nome que acabou se tornando símbolo da união da família, que continua a se reunir mesmo anos após a morte do patriarca.
A reunião acontece sempre durante o feriado prolongado da Páscoa, escolhido pela facilidade de deslocamento e pelos custos mais acessíveis em comparação ao Natal.
Apesar do nome, a celebração não tem caráter religioso. O objetivo principal é fortalecer os laços familiares e preservar a memória dos antepassados.
Em 2026, a edição foi realizada em Dois Córregos (SP), em uma chácara alugada com mais de 20 suítes para acomodar netos, bisnetos, tios, primos, filhos e os “agregados”, como a própria família chama os parentes por afinidade.
Em entrevista ao g1, Paulo Castro, Fernanda Castro e Alexandra Castro, netos de Saturnino, explicaram que a tradição começou na década de 1970, após um pedido feito pelo avô aos filhos.
“Meu avô, Saturnino, dizia que os filhos podiam casar com quem quisessem, mas fazia questão de que a família se reunisse. No começo era no Natal, mas ficou caro e difícil conciliar as datas. Aí a Páscoa virou o momento ideal, e o apelido ‘Pascoareta’ acabou ficando”, contou Paulo Castro.
“O nome pegou e hoje a gente reúne de 50 a 100 pessoas, todos descendentes do Vozão”, completou Fernanda.
Caminhada virtual
Um dos momentos mais emocionantes da Pascoareta moderna é a caminhada simbólica virtual, tradição iniciada em 2024.
A proposta é que cada familiar registre as caminhadas feitas no dia a dia e, ao final, todos os quilômetros sejam somados para formar uma grande jornada coletiva em homenagem à história da família.
O percurso reconecta os descendentes às origens do patriarca, refazendo simbolicamente o mapa de sua vida. A jornada começa na Bahia, estado natal de Saturnino, passa pelo Mato Grosso do Sul e termina em Adamantina, onde ele se estabeleceu.
Ao todo, o trajeto soma cerca de 5 mil quilômetros, transformando passos cotidianos em uma homenagem coletiva.
“A ideia era fazer com que todos andassem um pouquinho e a gente fosse adicionando a quilometragem. No final, pedimos para o nosso tio Edmilson, filho mais velho do vô, completar simbolicamente a caminhada. Ele tem 85 anos e foi muito bonito vê-lo concluir a maratona”, conta Paulo.





































